OS IMPACTOS POSITIVOS DO PSI
1/07/2010
É verdade que o setor de máquinas e equipamentos registrou um crescimento superior a 15% de janeiro/10 à maio/10, comparado ao mesmo período de 2009. Porém, não podemos nos esquecer de que a base de comparação é muito ruim, pois no primeiro semestre de 2009 estávamos no auge da crise mundial e, portanto, vivíamos um dos piores momentos da indústria de máquinas e equipamentos. O fato é que ainda estamos 11,6% abaixo do mesmo período de 2008, um ano considerado bom para a indústria.
Também, em função do Real extremamente valorizado, temos vivenciado um momento extremamente complicado em relação ao mercado externo, com um déficit preocupante na balança comercial do setor de máquinas e equipamentos. As exportações do setor vêm caindo de forma assustadora, tendo registrado uma queda de 25% no período de janeiro/10 à maio/10, comparado ao mesmo período de 2008. Por outro lado, as importações subiram, cerca de 8% de janeiro/10 à maio/10, comparado ao mesmo período de 2008. A verdade é que estamos assistindo a uma substituição da produção nacional por produtos importados, principalmente, de produtos vindos do continente asiático (China, Índia, Coréia do Sul, etc..), uma substituição que chamamos de desindustrialização e desnacionalização silenciosa. Para se ter uma idéia, o déficit acumulado da balança comercial do setor de máquinas e equipamentos, de 2006 à 2010, é da ordem de 33 bilhões de dólares.
E este cenário poderia estar bem pior! Não fosse o PSI/FINAME – Programa de Sustentação do Investimento, que atualmente oferece linha de financiamento com juros de 5,5% ao ano, com 02 anos de carência, até 10 anos para pagar e ainda com possibilidade de financiamento de até 30% em capital de giro, a situação da indústria nacional de máquinas e equipamentos poderia ser ainda mais grave, pois é fato que o PSI/FINAME vem minimizando a perda de competitividade sistêmica imposta pelo próprio governo ao setor produtivo. Vale ressaltar que, em recente estudo elaborado pela ABIMAQ, ficou comprovado que o “Custo Brasil” torna as máquinas e equipamentos produzidos no País cerca de 44% mais caros do que os produzidos na Alemanha ou Estados Unidos, isso sem comparar com a China. Ou seja, se uma empresa alemã ou norte-america viesse produzir no Brasil o mesmo produto que produz em seu País, esse produto custaria cerca de 44% a mais, simplesmente pelo fato de ser produzido no Brasil.
Sem dúvida, a implementação do PSI/FINAME comprova a nossa tese, de que o investimento produtivo deve ser incentivado e totalmente desonerado, da mesma forma como ocorre nos países desenvolvidos, para que as empresas possam investir na renovação do parque fabril, resultando em aumento de produtividade, maior desenvolvimento tecnológico, geração de mais empregos de qualidade e, conseqüentemente, maior competitividade da indústria nacional frente aos concorrentes internacionais.
Diferentemente do entendimento equivocado que alguns jornalistas e economistas tentam transmitir à sociedade, a verdade é que o PSI/FINAME não é nenhum subsídio ou benefício dado pelo governo a alguns setores produtivos, mas sim uma acertada ferramenta de Política Industrial, que incentiva a produção de bens de alto valor agregado, que resulta na manutenção e geração de empregos que exigem mão de obra qualificada, além do que é a primeira vez que temos isonomia de financiamento com os nossos competidores externos.
Não podemos nos esquecer de que, mesmo com o PSI/FINAME, a taxa de investimento do Brasil no primeiro trimestre de 2010 foi de 18% do PIB, bem abaixo da média da América Latina (de 19%), do mundo (de 24%) e da China, Índia e Rússia, da ordem de 34%. Sem o PSI/FINAME, certamente a taxa de investimento seria ainda mais insuficiente às necessidades do país.
Por isso, continuaremos a nossa luta pela perenização do Programa PSI/FINAME, pela desoneração total dos investimentos, por uma taxa de câmbio coerente e pela diminuição do impactante “Custo Brasil”.
Não se trata da busca de benefícios ou privilégios para a indústria de máquinas e equipamentos, mas sim de um tratamento isonômico frente aos concorrentes internacionais, pois do portão para dentro a indústria vem provando ser competente e competitiva, apesar de todas as adversidades sistêmicas.
Luiz Aubert Neto
Presidente
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